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Especial Oscar 2011 – Melhor Filme #4
| 3 comentários
Olá, leitores cinéfilos! Amanhã será a grande noite do Oscar e hoje terminamos o nosso especial de melhor filme com as reviews de Paulo Ricardo. No menu lateral tem uma enquete, quem você acha que vai ganhar esta categoria?

Confira as reviews e opine:

O Adeus de Woody
Quando estreou em 1995, Toy Story revolucionou o cinema e a animação, e foi a porta de entrada para um novo modo de fazer desenhos. Eu lembro que tinha 9 anos quando fui assistir no cinema o primeiro filme, e me apaixonei de cara, porque mostra uma história simples mas bem elaborada, sobre um assunto que ninguém tinha pensado antes, e que depois, todos queriam que realmente fosse assim: brinquedos que se mexem e falam. Além disso, Toy Story nos dá uma lição de moral, além de ter personagens extremamente carismáticos, e por isso atrai não só crianças, mas também adolescentes e adultos. Quatro anos depois, é lançado a segunda parte, com novos personagens e nova história. Todos os elementos do primeiro filme estão presentes nessa segunda parte, sendo tão boa quanto o primeiro. Mas a história estava inacabada, e precisava de mais um episódio, quem sabe um episódio final. E onze anos depois, a Pixar lança Toy Story 3 (Toy Story 3, 2010), com grandes expectativas de ser a animação do ano. E foi exatamente isso que aconteceu: Toy Story 3 foi um sucesso de público e crítica, e trouxe de volta todos os elementos dos dois filmes anteriores, com mais personagens, nova história, novas cenas memoráveis e mais lição de moral. 

Andy cresceu e está indo para a faculdade, e agora ele precisa deixar de lado seus brinquedos e seguir com a vida, mas claro, sem abandoná-los. A mãe de Andy pede para ele separar os brinquedos que quer guardar e os que vão para a doação, e claro que os brinquedos dele vão para o sótão, onde ficarão livres e prontos para quando Andy quiser relembrar os velhos tempos. Mas algo dá errado, e, por engano, Woody e seus amigos vão parar em Sunyside, uma creche. Lá, eles conhecem o urso Lotso, que diz que a creche é o melhor lugar para ficar, onde eles nunca serão esquecidos, e sempre terão novas crianças para brincar. Todos adoraram o lugar e a idéia de que poderão brincar para sempre, e todos acham que Andy os abandonou de verdade. O único que não acredita é Woody, que logo descobre que a creche não é bem o que o ursinho disse, e ele tem que resgatar seus amigos antes que Andy vá para a faculdade, e esqueça de vez seus brinquedos. 

Qual a melhor forma para terminar a saga de Toy Story, sem que Andy cresça e que deixe seus brinquedos de lado (da melhor forma possível, claro) para seguir sua vida adulta? Toy Story 3 foi perfeito, e não tinha como fazer melhor, e nem como acabar melhor. Desde a primeira cena, a clássica cena onde Andy brinca com os seus brinquedos, já sabemos que terá muita aventura, ação, diversão, risadas e muita emoção. O filme não tem nenhum defeito e nenhuma coisa errada, e as piadas repetidas têm uma roupagem nova e diferente: Buzz se achando que realmente é um patrulheiro espacial, e Jessie com medo de ser abandonada, além dos ataques eufóricos e preocupados do Rex, por exemplo. Mas o filme nos mostra novas piadas, novos acontecimentos, e novas cenas memoráveis, como a super engraçada cena do encontro de Barbie e Ken, além de ele insistir que não é um brinquedo de menina; mas ele é sim, não? Toy Story 3 é um filme que vai emocionar principalmente adolescentes e adultos que acompanharam a história nos cinemas desde o primeiro longa, quando eram pequenos. O filme toca em assuntos como a amizade, amor, e agora, o adeus e a despedida, que é inevitável, tornando o filme mais melancólico e triste de todos da série. 

Mas a parte triste fica bem para o final, e antes, somos nocauteados com humor e muita diversão, num roteiro que nos contagia de uma forma incrível, embalada em uma excelente trilha sonora, lembrando as outras canções dos dois filmes anteriores. Em Toy Story 3, as aparências enganam, e muito, e assuntos como lealdade, liderança e julgamento pela aparência, estão presentes; e essas são as lições de morais mais presentes no filme. Apesar de o ursinho Lotso ser malvado com Woody e seus amigos, conseguimos ter pena de tudo o que aconteceu com ele, mas claro, até um certo ponto. Depois de tanta aventura, correria, trabalho em equipe, lições de morais, risadas, ação e emoção, chega a parte mais emocionante do filme: a despedida de Andy com seus brinquedos. Aqueles de coração mais sensível, e principalmente aqueles que acompanham a trajetória do trio Andy-Woody-Buz, desde o início, vão se emocionar e chorar com o desfecho mais que perfeito e digno de fechar uma série de filmes mais importantes do cinema. A forma como o diretor explorou essa cena foi espetacular, e é impossível não deixar cair alguma lágrima, ou então, ficar apreensivo com a situação. E mesmo Andy estar crescido, a gente percebe o enorme carinho que ele tem com seus brinquedos, principalmente na cena em que ele analisa a pessoa escolhida, brincando com os outros brinquedos. E quem será que Andy escolheu para cuidar de seus brinquedos? E será que foi Andy mesmo que escolheu?

Toy Story 3 é sensível, emocionante, melancólico, triste, engraçado, repleto de ação e muita emoção, e fechou com perfeição a melhor série de animação da história do cinema. Será que teremos mais um filme? Toy Story 3 foi lançado em cópias 3D, que nem teve muita diferença, e faturou uma enorme bilheteria de mais de U$$ 1 BILHÃO de dólares, sendo sucesso, também, de crítica. O filme está indicado na categoria Melhor Filme e Animação. Melhor filme não vai ganhar, porque COM CERTEZA, e MUITO MAIS QUE CERTO, já vai ganhar o Oscar de Melhor Animação. 

Trio com Bravura Indômita
Para quem gosta do bom e velho gênero esquecido, o Faroeste, os irmãos Joel e Ethan Cohen nos prepararam um excelente filme do gênero: Bravura Indômita (True Grit, 2010), refilmagem do longa de mesmo nome, lançado em 1969. O filme retorna às raízes do gênero, e nos trás um ótimo filme sobre vingança, bravura e dinheiro. Bravura Indômita é estrelado por Jeff Bridges (Indicado ao Oscar), Matt Damon, Josh Brolin e Hailee Steinfield (indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante).

Mattie Ross (Hailee Steinfield) é uma garota durona que teve o seu pai assassinado por Tom Chaney (Josh Brolin). Ela quer vingança pela morte do pai, e contrata o velho bêbado e rabugento Rooster Cogbrum (Jeff Bridges), um oficial da justiça. Ainda se junta a eles, o "Texas Ranger" LaBeouf (Matt Damon), que também está a procura de Tom Chaney. Mattie quer vingança, Cogbrum e LaBeouf querem dinheiro, e juntos, eles partem em busca do assassino, onde eles tem que deixar as diferenças de lado e se unir para conseguir o que querem. 

Nunca me interessei muito pelo faroeste (western), e um dos poucos filmes do gênero que assisti e acabei não achando nada demais, foi o clássico de Clint Eastwood, Os Imperdoáveis (The Unforgiven, 1992). O que me chamou a atenção em Bravura Indômita foi o enredo e como as coisas iam acontecer durante o longa. O roteiro do filme é realmente muito interessante e te prende a atenção desde o início, deixando a gente na vontade de ver o que vai acontecer. E o que ajuda nisso também, são os personagens engraçadíssimos: Cogbrum e LaBeouf tentam ser durões, mas eles conseguem ser bem engraçados, graças a Jeff Bridges e Matt Damon: Cogbrum é um velho que bebe toda hora e acha que é o dono da razão; e Labeouf é um "Texas Ranger"que se orgulha por ter passado necessidades em uma de suas aventuras, e fica se gabando por ser um "Texas Ranger". Jeff e Matt estão ótimos nos papéis, e conseguem com facilidade cativar o público e nos fazer rir, com as brigas que eles têm por se acharem um melhor do que o outro. 

Quem se destaca bastante é a jovem atriz Hailee Steinfield, que interpreta a garota em busca de vingança pela morte do pai. Assim como Jennifer Lawrence em Inverno da Alma, a personagem de Hailee é extremamente madura, e se mostra mais durona e eficiente que os próprios dois oficiais. Desde o início ela se mostra capaz de resolver os problemas, tem língua afiada, corajosa e não cede fácil nas propostas dos outros, se mantendo firme e ganhando a causa no final. Pode-se dizer que ela é a Bravura Indômita do título do filme. Com três personagens ótimos, mérito dos atores, era de se esperar que os três tivessem uma química boa no filme. Mesmo eles sendo um pouco diferentes, cada um aprende um com o outro, e apesar das várias discussões ao longo do filme, eles se tornam "amigos". 

Não se pode deixar de falar da excelente fotografia do filme, mostrando lugares lindos, que passam muito bem a sensação de estar no velho oeste. Além disso, o filme tem um belo final, melancólico, bonito e muito bem planejado pela história do filme, e pelos sentimentos que os personagens tem entre si. No fim, Bravura Indômita é um excelente filme que relembra o gênero faroeste de antigamente, com direitos a batalhas e revanches com arma e tudo. O longa pode ser um grande concorrente ao prêmio de melhor filme, além de ator e atriz coadjuvante; esse último prêmio é muito merecido para a atriz Hailee Steinfield. Mas eu pensei que ia ter um elemento básico dos filmes de faroeste: os famosos duelos entre o vilão e o mocinho, onde apenas um deles sai com vida. Bravura Indômita estreia nos cinemas nessa sexta feira, dia 11 de fevereiro. Uma curiosidade: os diretores Joel e Ethan Cohen não assistiram o filme original, lançado em 1969. Eles não queriam fazer uma cópia do original, e sim uma versão deles baseado no livro que deu origem ao longa original.

Para conferir mais sobre a sétima arte acesse: http://pauloam.blogspot.com



Especial Oscar 2011 – Melhor Filme #3
| 3 comentários
Olá, leitores! Caso você encontre algum erro nas imagens do blog, tente desconsiderar. O ImageShack,site de hospedagem utilizado por muitos blogueiros, resolveu trollar todo mundo.

Gostaríamos de retificar a data do Oscar, será no domingo, dia 27. E por isso, amanhã também terá um especial com mais duas reviews. Votem na enquete ao lado no seu filme preferido :D

A criação do Facebook
Quem é que não tem algum perfil em uma rede social? Seja no Facebook, Twitter, My Space, Orkut. Você já pensou na pessoa que criou essa rede social? Quem ele é, como teve a idéia? O que aconteceu com ele? Como ele está hoje? O filme A Rede Social (The Social Network), dirigido por David Fincher mostra exatamente isso, nos apresentando a forma como foi criado o Facebook, a vida do criador, e tudo o que aconteceu na vida dele para, hoje, ele ser bilionário mais jovem do mundo.

Mark Zuckerberg foi o criador do Facebook, que no filme, é interpretado pelo excelente ator Jesse Eisenberg. Mark "criou" o Facebook em 2003, na universidade de Harvard. Tudo começou quando ele leva um fora da namorada, e decide criar um site para as pessoas votarem em qual garota é a mais bonita. O site teve um acesso muito alto, causando problemas para ele na universidade; mas também chamou a atenção dos irmãos gêmeos Winklevoss, que o convidou para criar um site de relacionamentos dentro do campus. Mark aceitou a proposta, mas não falou mais com nenhum deles, e criou o Facebook, primeiramente chamado de "THE FACEBOOK", junto com seu melhor amigo, Eduardo Saaverin, interpretado pelo futuro homem aranha, Andrew Garfield. Com o lançamento do Facebook e com todo o sucesso que o site fez, os irmãos entraram com um processo contra Mark. Mas não foram só eles que entraram com um processo, e sim também o próprio Eduardo, melhor amigo de Mark. E no filme, é mostrado todo esse processo e tudo o que aconteceu devido à criação do Facebook.

A Rede Social conquistou os críticos dos EUA, e a atuação de Jesse Eisenberg pode lhe dar uma indicação ao Oscar. Não é para menos. Ele se mostra uma pessoa fria, calculista, ambiciosa, sem medo dos processos e de ninguém, mas que no fundo, ele se sente arrependido, mas não demonstra, e nem tem como voltar atrás. O filme não se torna chato em nenhum momento, e a história da criação do Facebook é muito mais interessante do que você pensa. Nela temos, processos, festas, drogas, sexo, vilões e mocinhos, mas que não se pode ter tanta certeza de quem é o vilão e quem é o mocinho. Mas se Mark roubou a idéia dos dois irmãos, ele está errado, certo? Pode até ser, mas ele criou o Facebook para se expandir fora do campus; já a idéia dos irmãos era fazer isso, mas dentro do campus. Então? Quem é que está errado? E a atuação de Jesse Eisenberg é tão perfeita que faz a gente dar razão para ele.

Falando em atuação, não foi só a de Eisenberg que ganhou destaque. A de Andrew Garfield que interpreta o melhor amigo de Mark, e a do cantor Justin Timberlake, que interpreta Sean Parker, que criou uma rede de downloads super famosa, a Napster, que foi a primeira que sofreu processos sobre direitos autorais. Os diálogos dos personagens são rápidos e atrapalham um pouco aqueles que lêem mais devagar nas legendas; mas aos poucos dá para se acostumar. A linha narrativa do filme se mistura no presente, quando Mark está com os dois processos contra ele, e no passado, mostrando desde o primeiro dia que ele começou a planejar o Facebook; e isso torna o filme mais agitado, com mais história e acontecimentos.

E não para por ai. A Rede Social é muito mais do que um simples filme sobre a criação do Facebook; o longa mostra uma história de amizade destruída por dinheiro, ambição, insegurança, caráter e fama, que ganha repercussão até hoje. A Rede Social é um excelente filme e nos passa uma lição de vida: tudo na vida, tem um preço.

Em busca de uma Luz
Inverno da Alma (Winter's Bone, 2010) é suspense misturado com drama sobre uma menina de 17 anos que tem que cuidar de seus dois irmãos pequenos, e de sua mães doente. O filme ganhou vários prêmios de festivais de filmes independentes, e foi adquirindo fama, até chegar onde chegou. Os pontos fortes de Inverno da Alma são as atuações e o cenário do longa.

Ree Dolly (Jennifer Lawrence), indicada ao Oscar, é uma menina de 17 anos que cuida sozinha de seus irmãos e de sua mãe, que é doente. O pai dela está desaparecido, e essa é a questão do filme: Jessup Dolly, que não aparece no filme, usou a casa deles como fiança, e desapareceu. A justiça está a procura Jessup, que não compareceu ao seu julgamento, e com isso, toda a sua família será despejada em uma semana. Ree começa a procurar seu pai, enfrentando as piores pessoas que tem haver com o passado criminoso de seu pai.

Inverno da Alma foca bastante nas ótimas atuações dos personagens, além de do cenário frio e assustador onde a história se passa. Primeiro vamos falar sobre o cenário, que é importante para mostrar como são os personagens. A história se passa no meio do nada, em umas espécies de fazendas bem pobres, durante o inverno. Os personagens moram no campo, em um lugar afastado e sem muito contato com uma civilização decente. Os personagens são violentos, grossos e criminosos, e o maior problema deles é conversar e dialogar. Jennifer Lawrence demonstra frieza, segurança e atitude ao interpretar a personagem Ree, que enfrenta vários perigos, e situações difíceis com seus irmãos: ela passa fome, ensina os seus irmãos a atirar, passa por vários problemas com os vizinhos violentos ao procurar seu pai desaparecido; mas não porque gosta dele, e sim para poder se ver livre do despejamento. O tio dela, Teardrop (John Hawkes), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante, é um homem viciado e violento, que não ajuda Ree na procura do pai. A sua interpretação não é tão boa quanto a de Jennifer, e não merece o prêmio; ao contrário da atriz indicada.

O mistério do filme é encontrar o pai de Ree, não importa se ele está vivo ou morto. E pelo rumo que a história leva, Inverno da Alma parecia ter um daqueles finais chocantes e emocionantes; já que muitas coisas assim acontecem durante o longa. O final deixa a desejar, mas não é ruim, é forte e tenso. Inverno da Alma é um ótimo suspense que te prende a atenção, mas é um pouco parado para quem busca um filme com mais ação; até porque, tem muito drama no longa. Inverno da Alma é um filme que mostra o outro lado da superação, um lado mais cruel, digamos, devido toda à situação dos personagens; em busca de uma solução para os problemas. Não é o melhor dos indicados ao Oscar, porém, vale a pena assistir pela atuação de Jennifer Lawrence, e pela bela fotografia.

Reviews por:
Para conferir mais sobre a sétima arte acesse: http://pauloam.blogspot.com





Especial Oscar 2011 – Melhor Filme #2
| 11 comentários
O Oscar será no dia 28 de fevereiro e os 10 indicados a melhor filme são: Cisne Negro, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai, O Discurso do Rei, 127 Horas, A Rede Social, Toy Story 3, Bravura Indômita e Inverno da Alma.

Vamos conferir mais três reviews de Paulo Ricardo e apostar quem leva esse prêmio!

O longa Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are Allright) é um dos favoritos ao Oscar; e não será surpresa se ganhar alguma estatueta. Dirigido por Lisa Cholodenko, e estrelado por Julianne Moore, Annett Benning, Mark Rúfalo, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska, o drama mostra uma família, cujos pais são um casal de lésbicas, que enfrentam os problemas quando o doador do esperma surge na rotina da família. “Minhas Mães e Meu pai” é um raríssimo filme, um filme realmente bom, que merecia mais atenção, no meio de tantos blockbusters que só existem para faturar dinheiro.

Nic (Annett Benning) e Jules (Julianne Moore) são um casal de lésbicas que tem dois filhos, onde cada um nasceu de uma delas: Joni (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton) e Laser (Josh Hutcherson). Tudo está indo bem na família, até Laser pedir para sua irmã, que já completou 18 anos, ligar para o centro de doação de esperma, a fim de conhecer o pai biológico. Tudo acontece como ele queria, e os dois irmãos vão conhecer o seu pai, Paul (Mark Rúfalo). Mas a entrada de Paul na vida da família, não vai só trazer alegria, e sim problemas também, e eles tem que resolver isso para viverem em paz novamente.

Minhas Mães e Meu Pai é um maravilhoso e delicioso drama, pode ser dividido em dois momentos: a primeira parte é divertida, deliciosa de se assistir, e que torcemos para que tudo dê certo na família tão perfeita, aparentemente. A segunda parte é mais dramática, triste, que é quando a família começa a romper o laço de harmonia entre eles. As duas partes, bem distintas, são excelentes e a história é muito bem levada adiante. Todas as atuações são perfeitas e dignas de Oscar, principalmente as das duas mães. A médica Nic é uma mulher mais séria, na dela, mais careta digamos, e é um pouco estressada demais com a vida. Já Jules é bem ao contrário: ela não tem um emprego fixo, é mais liberal, divertida, brinca mais com os seus filhos. Os filhos de Nic e Jules deveriam ser tipicamente americanos: revoltados, inquietos, bagaceiros e extremamente complicados; mas não são. E eles se dão muito bem com o fato de ter duas mães na família. Joni é uma menina certinha, mais chegada à família, que acabou de completar 18 anos; Laser é um garoto de 15 anos, também mais família, mais quieto, cheio de dúvidas e questionamentos, que tem a vontade de conhecer o pai. E Mark Rufalo, que está no seu melhor papel dos últimos anos, interpretando Paul, um pai esquisito e sem muitas responsabilidades. E juntando todas essas atuações, temos um ótimo elenco que consegue se manter durante o filme todo, junto com o seu maravilhoso enredo, também digno de Oscar.

O problema começa com a aparição do pai doador na vida da família, e isso começa a afetar emocionalmente as duas mães, principalmente a personagem de Annett Benning, que é mais certinha e não gosta nem um pouco do jeito largado do pai. E os problemas se intensificam quando Paul convida Jules para trabalhar no jardim dele, na sua casa. Um fato muito bom que o filme propõe, é que a família de Nic e Jules, é extremamente normal, como se fossem uma família comum, mostrando os momentos felizes e as dificuldades; e mostrando também que uma família assim pode muito bem ser normal.

Enfim, Minhas Mães e Meu pai é um ótimo filme e merece todos os prêmios de atuação, roteiro e até filme. Vamos torcer para que o filme consiga essa façanha no Oscar 2011.


Filmes sobre o reinado Britânico e coisas do tipo, nunca me chamaram atenção, e os que eu assisti, achei nada demais. Mas claro que, um filme indicado à 12 Oscar, o filme com mais indicações desse ano, além de ter Colin Firth no elenco, poderia ser diferente, e foi. Isso foi ajudado por ter um tema bastante interessante, e totalmente diferente em um filme assim: pessoas gagas. Imagina um Rei ser gago; ele que tem que fazer pronunciamentos ao vivo, onde sua voz tem que passar confiança para o seu povo. O filme britânico O Discurso do Rei (The King's Speech, 2011) é baseado em fatos reais sobre Albert Frederick Arthur George, o pai da atual rainha britânica, Elizabeth II.

O duque de York, Arthur George (Colin Firth) é gago desde os quatro anos, e ao longo de sua vida, não vem se importando muito com isso, já que ele não será o sucessor de seu pai no trono, e sim seu irmão Edward (Guy Pearce). Mas com seu pai ficando cada vez mais doente, e os escândalos que seu irmão anda fazendo, o duque começa a acreditar que ele será o sucessor do trono, mesmo não acreditando completamente. Sua esposa, Elizabeth (Helena Bohan Crater) começa a procurar vários especialistas para resolver o problema de seu marido, até encontrar o estranho médico Lionel Logue (Geoffrey Rush). Apesar de seus métodos estranhos, ele consegue a confiança da família real, e cabe a ele resolver o problema do duque, que em breve terá que enfrentar esse medo de gaguejar para o momento mais importante de sua vida, e da história da humanidade.

O Discurso do Rei não é apenas um filme sobre à família Britânica que não faz nada, e vai muito mais além: ele mostra o medo e a superação de uma das pessoas mais importantes do mundo, de uma forma tão legal que prende a atenção do espectador. O principal responsável por isso é o excelente ator Colin Firth, que ganhou o Globo de Ouro de ator em drama por esse filme, além da indicação ao Oscar pelo mesmo. Ele se entregou totalmente ao papel, interpretando um rei gago como se ele realmente fosse um, mostrando suavidade, sutileza, e agressividade em alguns momentos, da forma mais natural possível. O seu parceiro de cena também esteve muito bem, mas não tanto quanto o protagonista: o médico Lionel Logue, interpretado por Geoffrey Rush, que também foi indicado ao Globo de Ouro, só que de ator coadjuvante, e está indicado ao Oscar na mesma categoria. Lionel é o médico que vai curar George, mas ele vai além disso: ele se torna um psicólogo ao ouvir seus problemas, e no final das contas, acaba se tornando um grande amigo do duque. Entre discussões e papos de amigos, além do estranho e engraçado tratamento de Lionel, os dois tem uma ótima química em cena, e levam o filme adiante sem nenhuma preocupação. E junto a essa dupla "de reis", está a esposa do duque, Elizabeth, interpretada por Helena Bohan Carter, esposa de Tim Burton, e que foi indicada ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante e também ao Oscar na mesma categoria. Diferente das personagens que tem interpretado, ela está decente e atuando com sutileza, exatamente como uma duquesa e futura Rainha.

O roteiro do filme é simples e direto, e apresenta um momento histórico importante para a história da humanidade. A época que se passa o filme, é momentos antes de começar a Segunda Guerra Mundial, sendo essa parte mostrada mais para o final. Para dar um toque mais real sobre esse fato histórico, o diretor mostra o ex-duque assistindo cenas reais do ditador alemão Adolf Hitler, que acredito que estava falando sobre a guerra. Eu achei super interessante ressaltarem isso no filme, e fatos assim ajudam o filme a ser mais prestigiado. No início do filme, seria apenas um duque indo ao médico para curar sua doença, mas ao decorrer do longa, o duque terá mais responsabilidades do que imaginava, e teria que fazer o tão esperado "discurso do rei" em um momento extremamente importante. E por fim, ainda falta ressaltar o excelente figurino, o cenário real e a belíssima fotografia mostrando muito bem a época dos anos 30.

O Discurso do Rei é muito mais do que um filme mostrando a vida da família real, e quase nem é isso, e sim uma história de superação onde a voz de um homem é a coisa mais importante para uma nação. Em uma época onde um país estava à beira do início de uma terrível guerra e pessoas precisavam de uma voz forte e confiante os confortando, um futuro Rei não tinha nada disso. Com uma ajuda nada certa, consegue fazer o tão importante discurso que mudaria não só a história de uma nação e o mundo, mas também a superação de um Rei com um problema que qualquer pessoa pode ter. O Discurso do Rei é um dos favoritos ao Oscar de melhor filme, mas acho que não vai ganhar o principal prêmio, já que não é um filme americano, e o Oscar é. O filme é um grande concorrente com o outro favorito, A Rede Social.


127 Horas (127 Hours, 2010), dirigido por Danny Boyle, é um drama baseado em fatos reais, sobre um alpinista que fica preso no meio de uma rachadura em um enorme canyon, nos EUA. O filme acompanha as 127 horas que personagem de James Franco fica preso no lugar. A história se passa em 2003, quando o alpinista Aaron Ralston (James Franco) resolveu fazer uma escalada nas montanhas de Utah, nos EUA. Durante a escalada, ele sofre um acidente e fica preso em uma pedra, numa fenda no meio da enorme montanha. Aaron não avisou ninguém onde ia escalar, e o filme mostra as 127 horas (5 dias) que o personagem fica preso, tentando sobreviver com o pouco que ele tem.


127 Horas é um filme que, a maioria do tempo, se passa em um único lugar, além de que o personagem de James Franco aparece sozinho a maior parte do filme, com exceção das lembranças de Aaron durante o filme. E se você pensa que vai ser tedioso, está enganado. O ator leva muito bem o filme adiante, com uma atuação convincente e maravilhosa, nos passando muito bem todo o desespero que personagem passou. Mesmo nas situações mais difíceis e horríveis que alguém pode passar, ele não perde o humor, a ironia e a sensibilidade, e nos apresenta uma maravilhosa atuação. E apesar do desespero de ficar preso ali e morrer, ele nunca perde as esperanças de conseguir sair com vida, exatamente como diz a frase que aparece no trailer: "Não há força mais poderosa na Terra do que a vontade de viver". É tão bom saber que um ator da nova geração tem talento o suficiente para conseguir manter um filme sozinho, e com certeza, James Franco terá o mesmo respeito que os grandes atores veteranos têm agora.

Além da ótima atuação do ator, outro atrativo é a fotografia linda do filme. As paisagens no meio dos Canyons são perfeitas e maravilhosas, embaladas numa excelente trilha sonora, com destaque para If I Rise, de A.R. Rahman e Dido, que foi indicado ao prêmio de melhor canção. 127 Horas mistura cenas reais com as lembranças vividas do personagem, que o ajudam a superar todo o problema que está passando. E as vezes, o diretor mostra cenas do que o personagem imaginava que queria que acontecesse, deixando a gente na dúvida se é verdade ou imaginação dele.

127 Horas é tenso, angustiante e ao mesmo tempo é um filme maravilhoso e inspirador, sobre a vontade de viver e todo o sentimento de culpa pelos atos que o personagem fez durante sua vida. É como se a pedra que o prendeu, e todo esse momento, fossem um teste para ter uma segunda chance na vida, e mudar tudo que fez de errado. E é exatamente isso que o filme propõe, como até o próprio personagem diz: "Essa pedra esteve me esperando desde o momento que eu nasci." James Franco é um forte concorrente ao Oscar de Melhor Ator, e merece o prêmio. Vamos torcer para que a academia dê o prêmio a ele. 127 Horas estréia no Brasil dia 18 de fevereiro.







Para conferir mais sobre a sétima arte acesse: http://paulo-am.blogspot.com





Especial Oscar 2011 – Melhor Filme #1
| 25 comentários
Nosso querido colaborador e blogueiro, Paulo Ricardo, fez review de TODOS os filmes indicados ao melhor filme no Oscar. E vamos fazer um especial dividido em três posts para você conhecer melhor os longas e começar as apostas.

O Oscar será no dia 28 de fevereiro e os 10 indicados a melhor filme são: Cisne Negro, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai, O Discurso do Rei, 127 Horas, A Rede Social, Toy Story 3, Bravura Indômita e Inverno da Alma.

Confira as primeiras reviews:

Cisne Negro
Desde sua primeira apresentação no cinema, no 67º Festival de cinema de Veneza, Cisne Negro (Black Swan) vem ganhando fama. Já conquistou um Globo de Ouro de melhor Atriz, e está indicado à 5 Oscar; e é um grande favorito do prêmio de melhor filme. Estrelado pela atriz Natalie Portman, o longa de Darrem Aronosfki é um suspense/drama psicológico ambientado no mundo do balé.

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina frágil, sensível, com problemas na vida pessoal, e que quer se tornar uma bailarina perfeita. A chance aparece quando o diretor artístico Thomaz Leroy (Vincent Cassel) aparece onde Nina trabalha: ele está a procura de uma bailarina para interpretar a peça O Lago dos Cisnes. Nina é a escolhida e terá que interpretar o Cisne Branco, que representa a inocência e a sensibilidade, e o Cisne Negro, que representa a malícia e sensualidade. Mas uma nova bailarina aparece, Lily (Mila Kunis), chamando a atenção de Thomaz, e apesar das duas se tornarem "amigas", ela pode ser um empecilho no caminho do sonho de Nina.

Cisne Negro é um ótimo filme que mostra sonhos, desejo, obsessão, inveja, sensualidade e loucura no mundo do balé, com uma ótima interpretação de Natalie Portman. Sua personagem é pura, tímida e inocente, que tem uma mãe rígida, tem problemas, não se diverte e só pensa no seu trabalho. Ela é a representação perfeita do Cisne Branco. Se a personagem de Portman começou assim, a partir da metade ela muda completamente de personagem, se tornando agressiva, sensual e mais livre de tudo o que ela passava. Ela consegue ser doce, sensível, para depois se tornar agressiva, psicótica e sensual; tudo isso durante o filme de uma forma extremamente convincente, nos prendendo a atenção desde o início. 

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